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segunda-feira, 16 de abril de 2012


Filhos? Não, obrigada
A ciência mostrou que o chamado “instinto materno” não é inato e pode ser vivido de diversos modos. Ainda assim, prevalece uma sutil pressão social que cobra a maternidade
por Paola Emilia Cicerone

© LUNA VANDOORNE/SHUTTERSTOCK
"É raro alguém perguntar o que levou um homem ou uma mulher a ter filhos. Em contrapartida, é comum escutar: “Não tem filhos? Por quê?”. E, em geral, o principal alvo das indagações são as mulheres. Talvez algo como “não tive tempo”, “não sou casada” ou “não encontrei o homem certo, no momento certo” fossem boas respostas, mas há algo mais em jogo. É como se – ainda hoje, apesar de todas as transformações sociais dos últimos anos – continuasse necessário explicar à sociedade essa escolha (às vezes mais, às vezes menos consciente). Ao serem questionadas, as mulheres percebem na curiosidade alheia a pressão e as críticas disfarçadas, como se a opção de não terem sido mães as fizesse pessoas especialmente egoístas ou fosse sinal de algum “grande problema” em relação à sua feminilidade.

“Em nossas pesquisas promovemos a discussão do tema em grupos de mulheres sem filhos, em diversas cidades italianas, e muitas das participantes admitiram que se sentiam julgadas, às vezes até severamente, por parentes ou conhecidos, estigmatizadas como se fossem cidadãs de segunda categoria”, conta Maria Letizia Tanturri, professora de demografia da Universidade de Pavia, que participou de um importante projeto de pesquisa coordenado por várias universidades. “É como se, de certa forma, a maternidade fosse a garantia de nos tornarmos pessoas melhores, mais sensíveis”, observa. Ela lembra que, em 2007, uma senadora democrata da Califórnia, Barbara Boxer, atacou a secretária de Estado Condoleezza Rice: “Como não tem filhos nem família, a senhora não pagará nenhum preço pessoal pelo envio de mais 20 mil soldados americanos ao Iraque”. As palavras podem ser entendidas como uma variante de algo como: “Quem não tem filhos não pode entender o que só nós, seres humanos privilegiados pela graça de ter filhos, conseguimos compreender”.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Michigan com 6 mil mulheres com idade entre 50 e 60 anos revelou que ter ou não ter filhos não tem efeito relevante no bem-estar psicológico nessa faixa etária – o que, de certa forma, contradiz a ideia de que é preciso criar os filhos para ter com quem contar no futuro. “Os aspectos mais importantes para uma maturidade feliz são a presença de um companheiro e de um círculo de relações sociais significativas”, salienta a socióloga Amy Pienta, coautora da pesquisa publicada no periódico científico International Journal of Aging and Human Development. Assim – e considerando todo o risco, trabalho e preocupação que significa ter filhos –, seria melhor não tê-los? Depende. O único dado certo é que hoje existe uma liberdade maior de escolha: é possível ser mulher de forma plena e prescindir da maternidade."


Esta matéria saiu na revista Mente Cérebro em 09 de abril deste ano e me chamou muito a atenção, quando vi o título pensei: nossa que interessante, encontraram alguma diferença na liberação de substâncias no cérebro feminino em relação à maternidade, mas o que encontrei foram constatações comportamentais. Enquanto lia pensei que aquilo era um horror, que absurdo esse tipo de julgamento! Depois me lembrei que na realidade as coisas são assim mesmo... Como odontopediatra muitas vezes escuto um: você tem filhos? Mas na verdade hoje o que me incomoda mais não é o fato das pessoas questionarem, ou pressionarem, mas a reação dos "pressionados".

Enfim, não acho que isso tenha a relevância que gostaria para discutir aqui, esperava mais... Muito mais! Esperava respostas químicas, fisiológicas ou reações do gênero, pois na verdade o que me incomoda mesmo são as inúmeras mães que na verdade só colocaram as crianças no mundo, mas não tem no coração a essência de SER MÃE.

Ser mãe de verdade requer responsabilidade, abdicar de muitas coisas sim e acima de tudo oferecer exemplo e suporte emocional.

Ninguém nasce sabendo, não existe manual, mas nascemos para aprender, crescer, evoluir e nos tornarmos pessoas cada vez melhores.

domingo, 18 de março de 2012

Pra que serve uma relação

"Definição mais simples e exata sobre o sentido de mantermos uma relação?
"Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil".
Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom, e merece ser desenvolvido. 
Algumas pessoas mantém relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração.Uma armadilha.
Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.
Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo, enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada uma pessoa bonita a seu modo.
Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.
Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois."
(Dr. Drauzio Varela)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Nossos valores estão muito errados

Adoro animais, adoro mesmo, mas nem por isso sou a favor dessa onda de mega defesa dos animais e busca desesperada por um lar para eles, não que eles não precisem, mas acho que tem outras coisas que merecem mais nossa energia. Cães tem vivido muito bem, melhor até que muitas pessoas, isso posso comprovar facilmente pelo crescente número de pet shops e afins.
Posso dizer que vejo muitas crianças que vivem em condições piores que cachorros, e isso é o que me incomoda... As crianças são o futuro da nação e o desinteresse é tanto que vemos que as áreas com menos enfoque na área da saúde são relacionadas à pediatria, no meu caso: odontopediatria.
A infância é o período mais importante no desenvolvimento do ser humano e ainda assim, qual é o valor dado?
Não digo que seja apenas desinteresse pelos profissionais pelas dificuldades inerentes à profissão, baixo glamour e pouco status, quando muito escuto somente um: nossa, você é corajosa, tem que ter paciência ou tem que ter dom. O descaso também é reflexo da sociedade que mais preocupada com estética e status pouco se preocupa com prevenção e saúde dos pequenos.
Não estou falando de um todo, apenas da "pequena" parcela que vejo chegando em busca de tratamento após muito tempo de descaso, ou de pais ou de profissionais.
Concordo que em muito caso isso é falta de informação, educação, entre muitas outras coisas.
Mas não aguento as pessoas se preocuparem mais com cachorros que com crianças.
O fato é que precisava deste desabafo, porque ser pai é muito mais que por um filho no mundo!
Dias de clínica de odontopediatria às vezes me cortam o coração...